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Meu perfil BRASIL, Sudeste, SAO BERNARDO DO CAMPO, TABOAO, Homem, Música, Cinema e vídeo |
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Parte 2
Parti quase incerto e sem saber o motivo. Nos doze primeiros meses, pouco me importei com coisa alguma. Estava em minha alma andar, ermo, sem destino... Apenas andar, andar, andar. Quando passei da fronteira ao leste, na península balcânica, atravessava um leve inverno, suave e chuvoso, que me fez lembrar dos invernos rigorosos de meu condado. Abriguei-me em muitos pinheiros, sobreiros e carvalhos. Bela floresta para aqueles malditos Bálcãs. O tempo passou indefinidamente e voltou, e passou de novo, duas vezes mais rápido e tornou a voltar, circundando à minha volta como um abutre esperando minha derrota.
Finalmente, após dois anos de caminhada, ter apenas o horizonte como companhia e comer raízes e os mais gordos gafanhotos que cruzassem meu caminho, cheguei num lugar que possa chamar de significativo. Uma aldeia, quase tão pequena quanto a minha, antiga e esquecida.
O sol do meio dia abrasava, e, diante destes olhos, que ao passar dos anos tornaram-se cada vez mais cegos, eu a vi. Linda, esguia e leve como o ar. A estátua linda, como a que adornava o poço de meu condado, materializou-se em carne, ossos e alma. Laurien se chamava, e morava com seu pai, um velho que vivia dos pescados que suas forças ainda podiam tirar das garras de Poseidon. Ele e a filha eram os únicos habitantes da falida aldeia, que a pouco mais de um mês havia sofrido uma terrível tormenta do mar e matado os dezessete habitantes que ainda sobreviviam da pesca e do pouco plantio que conseguiam tirar da terra. Laurien e seu pai escaparam da fúria do mar Egeu graças a perspicácia do velho marinheiro, que ao decorrer do mau tempo migrou para o norte. De nada adiantaram as suplicas do velho e, tampouco dela, para que deixassem o vilarejo. Morreram todos, homens, mulheres e crianças. Quando voltaram, certo da tragédia, jogaram os corpos que sobraram ao mar, como oferenda para que lhe acalmasse a fúria.
Como uma flecha negra de mau agouro, sorrateiramente, a morte tornou a aparecer, trespassando o coração do velho balcânico e calando suas cantigas de além mar. Laurien calou-se junto e nunca mais pude ouvir sua voz doce de sílfide, a não ser na ocasião de minha partida, numa jangada velha que seu pai usara para pescar durante toda a vida. “Vou contigo” e calou-se novamente.
Continua...
Saudações aos queridos leitores. A proposta a seguir é uma série de dez textos interligados de uma única história de minha autoria. Os textos viram numerados e espero que gostem e que o texto siga caminhos intensos, da mesma maneira que seguiu por meus pensamentos. Um abraço.

O Andarilho.
Parte 1.
“Ele segue seu caminho, ele segue sua estrada...”
Por mais que possa estar explanando neste relato, pouco rico será, pois não haveria palavras para expressar tamanhas minúcias que fui abençoado de presenciar. Isto pode ter sido benfazejo de certo ponto, só não sei até onde, pois continuo andando.
No condado onde nasci haviam fartas mesas de banquetes e ceias, e mulheres que de tão estonteantes olhares, derrubavam os cavaleiros de seus cavalos... Ah! Os cavalos! Nossas cavalariças eram repletas pelos melhores exemplares de eqüinos, que tão fortes arrastavam carroças da fronteira oriental até a taberna com apenas uns poucos goles d’água. Aquela época e aquele condado estavam passando por toda boa-sorte que fosse possível ter. As mulheres prenhes davam a luz a varões gordos e saudáveis e a menininhas lindas e encantadoras, de verdes olhos, que enchiam os gramados e as pradarias com seus risos infantes, misturando-se às minúsculas flores amarelas da primavera. Os doentes logo saravam, e, durante seis décadas, ninguém sofreu de peste ou padecera dos pulmões. Nossas colheitas dos meses produtivos eram tão fartas, que ao fim do inverno nos sobravam abóboras e batatas tanto quanto o mel parecia brotar das jarras e potes. Era uma terra abençoada, cujo rio nunca secava e a terra nunca fora estéril. Ainda hoje me pergunto o porquê comecei a andar.
Havia uma estatua, vinda de Provença, parecida com uma ninfa, uma sílfide, no centro do condado, ao lado do poço. Aquele inverno viera rigoroso demais, desabando sobre nossa pequena aldeia neve em quantidade alarmante que, com passar de poucas horas formavam torrões que impedia de serem abertas as portas. Quando a neve amainou sai, a estátua me olhou e vi nela olhos de outras terras. Pus-me a pensar longamente, na taberna, diante a fogueira. Pensei na primavera subseqüente e nas outras dezessete. Então parti.
Continua...
QUERIDOS LEITORES....
BLOG NOVO DE MINHA AUTORIA, COM TOQUES NO TEMPLATE POR PATRICIA PEREIRA MARTINS
http://teoriashibridas.blogger.com.br
Relatos de uma transitoriedade.

Tudo começou por que eu queria jogar video-game. Bom, pra falar a verdade acho que foi por causa disso. Mas neste relato vai o motivo, seja ele qual for.
Vamos do início:
Como dizia, tudo começou por que eu queria jogar um pouco de vídeo-game, como qualquer adolescente. Na verdade, com 18 anos, não se é mais adolescente judicialmente, mas ainda tinha todas as características: Um vasto repertório de respostas idiotas e a certeza de que sempre tinha razão. É claro que também gostava de parafernálias eletrônicas de todos os gêneros, pois enchiam-me os olhos. Passava as madrugadas em claro em frente a uma velha 19 polegadas cansando as vistas.
Quando se é adolescente – e digo adolescente na idade mental – prepotência é sempre um requisito indispensável. Achava que todos deviam aturar o meu jeito de falar alto e fazer fanfarronices a qualquer momento, alegando que era legal se divertir e zoar – ou seja, alegando que estava com a razão. Quando falava na maioria das vezes era pra falar do tal vício eletrônico.
Foi pensando nisso que eu vi onde realmente tudo começou. Eu tinha mente e jeito de adolescente, aparência e vícios infantis, porém tinha 18 anos, uma idade acima da média para convencer o meu pai a comprar um vídeo-game novo para mim. Meu tempo de presentes de criança havia expirado. Eu via as novidades tecnológicas e ficava maluco. Queria porque queria.
As únicas duas soluções que meu cérebro conseguiu processar foram: Dar uma de indiferente, viver comendo vegetais meditando nas montanhas e recitando Zaratustra ou, fazer o que meu pai havia me sugerido desde que acabei o 2° grau: procurar um emprego e ganhar algum dinheiro. Apesar do primeiro ser mais interessante e menos cansativo, optei pelo convencional.
Hoje, alguns anos depois, a cada gota de suor que derramo na batalha diária penso no que me tirou da comodidade. No fundo a transição foi natural, pois quando se trabalha não se tem tempo pra nada – pra nada mesmo – pois você passa em média 6 dias por semana trabalhando cerca de 8 horas por dia, durante os 35 melhores anos de sua vida (e quando se aposenta se está velho demais para te levarem a sério). Quantos lindos dias de sol você perdeu? E quantos pores-do-sol você deixou de ver por causa “daquela” horinha extra?
Enfim, deixei de ser um adolescente e não quero mais o que queria naquela época, posto que a vida tem muito mais desafios que aqueles que eu me apegava em frente à telinha.
P.S: Gostaria de agradecer ao Sr Mauricio dos Santos Hofer que voltou a freqüentar e ler meu blog.
P.S 2: As saga do Lucifernando tem continuação.
P.S 3: Patty, te amo tanto que chega a doer... na verdade está doendo agora.
Lucifernando, o cara...
Ele nasceu assim... Fazer o que? Já desde cedo teria de agüentar chacotas e ofensas. Enfim, que ele nasceu assim é fato e seu nome é Lucifernando. Ele é brasileiro como haveria de ser. Eu acho particularmente engraçado o fato das pessoas não conseguirem associar alguma história interessante ou casos bizarros incríveis ao Brasil. Fosse nos Estados Unidos, tudo seria possível. Aqui tudo é passivo. Passivo de enganos e passivo de erros. Imaginar contos, histórias e fantasias em terras brasileñas é quase, senão um todo, absurdo. Acho mesmo que a fome e a miséria do povo, a corrupção e as mentiras dos políticos, as condições diminuídas e o desemprego faz de nós brasileiros muito pé-no-chão.
A vida machuca nossa alma.
Contudo, é do tal Lucifernando que vim falar, ou contar... É uma figura. Mesmo. Esses dias mesmo veio coxeando pelas calçadas da Av. Paulista e na primeira oportunidade já foi alvo de impropérios. Tá certo, ele pode ser estranho, mas quem não é?
Não é todo mundo que nasce com uma pata de cabra no lugar do pé esquerdo e um chifre pequeno e débil ao lado direito da testa, mas sejamos compreensivos. Ele já desistiu de andar na Paulista pro seu próprio bem.
Lucifernando está até tentando achar um lugar pra ser aceito, e com isso poder voltar para os braços de sua mãe, que há anos foi morar com “7 peles” – se é que vocês me entendem. Não é preciso ser muito perceptivo para ver que nosso supremo senhor de todas as maldades tem hoje em dia uma bela companhia feminina. Na minha opinião o mundo ainda será das mulheres.
Sua mãe antes de partir disse:
- Lulu, seja mais sociável... As pessoas vão gostar de você, pois se eu pude gostar do teu pai... Aprenda alguma coisa e divirta-se e venha nos encontrar daqui a alguns séculos.
- Ta bom mãe, mas...
- Nem mas, nem meio mas. Até querido, vou viver a minha vida com mais fulgor, o que eu já deveria ter feito há tempos.
Isso poderia ter sido encarado de forma devassa, mas não soou dessa forma. Digamos que ele está se empenhando. Enfim, ele não é filho de Deus mas ele merece...
P.S: O desenho tá um pouco tosco, mas é pra ser assim por enquanto.
Abraços a todos.

Formas educadas de preconceito
Existem casos, não muito raros, em que isso acontece. Os rótulos colocados, demarcações e etiquetas previamente vistas – não sei onde – causam isso. Outro dia me pus a pensar e lembrar de algumas coisas. Já é chato ter que enfrentar o preconceito, na sua forma grosseira, vil e desnecessária. Sou apenas mais um cidadão tentando vencer.
Ela começa de modo sutil. No entanto, a forma educada de rotular as pessoas é extremamente desagradável. As pessoas se enchem de sofismos e ficam com um misto de superioridade e arrogância com ironia e extrema educação. O dissabor em um sorriso é suficiente para delatar um preconceito educado. É uma feição que teme a reação alheia, como se o “próximo” fosse um bicho ou algo pior.
Já me indagaram por que eu sou assim. Já me olharam diferente muitas vezes. Eu nem tento explicar que moro na América Latina e, de fato, no Brasil é bem difícil se manter branco devido ao sol. Já me indagaram por que moro na divisa de São Bernardo com Diadema, que é tão longe e, com devido respeito (bobagem!), ouviu-se dizer que é tão perigoso? Bom, é um bom lugar para se morar, e não é mais perigoso do que Itaquera, Ermelino ou Guaianazes.
Diferenças sócio-econômicas nada tem a ver com bondade, discrição e educação. Fui bem criado pela minha mãe e educado no seio de um lar simples, porém honesto. Tenho acesso à cultura também, pois afinal só não tem quem não quer. Meu potencial me levaria mais longe, mas por enquanto o que posso fazer de melhor é estudar, trabalhar, batalhar por mais e cultivar amizades. Escrever também me faz novo em folha. Todavia um novo amanhecer espero...
Eu tive poucas chances, mas aproveitei todas, gosto de batalhar para minha evolução. As pessoas deviam me levar mais a sério. Contudo, aos olhos do preconceituoso educado, eu até que sou uma pessoa “legal” e “boazinha”. Não quero ser legal nem bonzinho. Quero respeito, dignidade e igualdade perante a qualquer outro que seja, pois não sou melhor nem pior do que um caucasiano de cabelos lisos, burguês de nascença que não se importa com sentimentos alheios, nem tampouco sou comparável a uma “coisa” que incomoda a vista e basta virar-se e descreditar do assunto que tudo será resolvido. Sou fato, sou gente, sou história. Sou alma em corpo, sou ferro e às vezes o ferreiro. Não me descreditem. Pouco me importam títulos, me importa viver, nisso me dedico.
“Pois eu sou a voz daqueles que você amordaçou.
A força daqueles que você acorrentou.
O grito de dor que nos Palmares ecoou, a liberdade chegou...
A minha alma negra.”
Tem que ser hoje.
Tem que ser!
Tem que...
Tem?
Bom, acho que sim.
Acordei numa bela segunda-feira e o sol, as 8:00 da manhã, já estava um demônio sorridente abrasador. As rotinas são engraçadas; nós executamos tais tarefas de modo tão natural que às vezes passam despercebidas – escovei os dentes, tomei banho e depois veio o café; não necessariamente nessa mesma ordem – causando um efeito robótico as pessoas em geral. Não tinha ninguém em casa, alem do animal de estimação da casa e eu. Aquilo estava me parecendo um filme do James Bond dos anos 80. O sol entrava de viés pela varanda e um céu azul descomunalmente lindo me fazia pensar estar no Hawai ou outra praia que os chefões da espionagem sempre arranjam para meter o James Bond – mais por estratégia de marketing e pelas mulheres quadradas de biquíni do que por outra coisa.
Já estava quente àquela hora.
Minha mãe entrou atarefada, a passos curtos e rápidos, olhou rapidamente pra mim e murmurou um esboço de bom-dia. Eu estava muito feliz pelos acontecimentos dos dias anteriores e com o banho e o café revigorantes da manhã e não liguei muito. Quando ela passou por mim pela décima vez – acho que era a décima – eu a parei pelo braço e mostrei-lhe um folheto da editora Martins-Fontes, que irá sediar algumas palestras sobre assuntos interessantes para quem quer ser escritor, e disse:
- Olha mãe, vou ser escritor profissional.
Ela olhou pra mim por uma fração de segundos e disse:
- Ai ai... você viu.
Tentei indagar ela e saber o que ela quis dizer com aquele “ai ai viu...”, porém ela apenas continuava com aquele sorriso desdenhoso e indiferente como que dizendo “Isso meu filho, aproveite enquanto o presidente não impõe tarifações nem impostos sobre sonhos”.
Não sei por que isso aconteceu.
Será que ela acha que eu não tenho potencial, ou que escrever não da dinheiro nesta terra de meu Deus que ninguém lê, ou se ela acha que um trabalho de verdade tem que ser braçal?
Enfim, eu acredito em meu potencial, acredito que a cultura no Brasil cresce a cada dia. Dinheiro pouco me importa, quero o suficiente para viver e ser escritor me parece uma ótima profissão, digna e honesta. Isso fez toda poeira da resignação voar. Mexeu com meu ego, com meu brio, com meu orgulho. Não disse nada a ela, apenas joguei esse assunto e toda frustração dentro de uma grande panela e pus a cozinhá-las em minhas entranhas para novamente começar tudo de novo: escrever.
P.S: Patrícia, você me faz a pessoa mais feliz do mundo, e nesses três meses, comemoremos.
Até a próxima.
Cataclismos Extemporâneos.
Ao acordar uma madrugada dessas qualquer, com as luzes entrando de soslaio no meu apartamento, me peguei sem nexo. Poucas vezes, talvez nenhuma, me senti daquele jeito. Imaginem-se uma casca. Pensei na grandeza de todas as coisas e percebi o quanto somos pequenos, infinitesimais. A teoria de que existe algo maior está me atormentando até agora. Andei de forma pastosa até o sofá e sentei-me podendo ouvir claramente o som apático e enfadonho de minha respiração.
- Pro inferno! – Exclamei.
As paredes absorveram minha interjeição como água em terra em árida. O ar estava quente e seco e parado. Fui invadido por uma insopitável sensação. Uma sensação de sensualidade que proporcionam frio no baixo ventre e te deixa em certa ansiedade.
Pensei em mim, no sofá, nas paredes, no apartamento, no prédio, na rua, no bairro, na cidade de São Bernardo, em São Paulo, no Brasil, nas Américas, nos oceanos, no mundo, na lua, estrelas, galáxias e mais galáxias, planetas, no universo. De repente parei. Outros universos. Parei de novo.
Sempre nos achamos donos de tudo; donos das matas, dos campos e das cidades até. Erguemos alto prédios para enaltecer nossa autoproclamada grandeza. Achamo-nos donos de qualquer coisa, de nossos próprios narizes, dos nossos próprios destinos. Creio que nossa ignorância chega até a nos presentear com uma sensação de que certas coisas só acontecem por que existimos. Tolice. Escolhemos quem governa e algumas outras coisas através de nossas vontades porque é de interesse publico. Individualmente não é bem assim que funciona. Vi meus casos e estarreci-me com os pormenores da situação. Nada pode conter o ímpeto do destino. Quis muitas coisas que eram inapropriadas e achava que devia lutar por elas. Outra tolice. Bradei, gritei, lutei, tentei convencer, argumentei. Apenas maculei minha alma. Tentei instaurar o terror e no final me senti o próprio Maximilian Robespierre num cadafalso qualquer de Paris. Rendi-me, me redimi. Oh! Todo poderoso destino. O destino é o mais poderoso dos deuses. Eu tive de aceitar isso, tive que entender. Hoje o destino me da diversas coisas e amanhã, como um cataclismo paradoxal, tudo muda.
Naquele dia , naquele sofá me curvei a isso e não mais tentei entender. Agora sou apenas uma pequena folha boiando mansamente nas águas do rio “destino” seguindo seu curso que se chama “vida”.
Quem tem um lho é rei, se eu desafiar incomodarei (Jorge Vercilo).
P.S: Alguem acredita que um homem pode mudar seu próprio destino? Pois acredito em sonhos e acho que não é invalido sonhar.
Ah, vamos lá gente!
Pode-se dizer que eu tentei.
Até que eu tentei mesmo.
O metrô funcionou normalmente e ainda havia aquela confusão atroz na frente da estação Saúde, que os ambulantes proporcionam aos usuários do metrô e aos incautos habitantes que por ali passam. Os trilhos continuavam com aquele chiado constante e monótono seguido de vozes enfadonhas nos dizendo “desembarque pelo lado esquerdo do trem”. Também havia pessoas. Não tantas, pois era um sábado de feriado prolongado. Mas pra dizer a verdade faltava algo. O céu estava de um cinza contumaz e as placas e os semáforos de transito pareciam se curvar e lamuriar minha tristeza. Andei por aquelas calçadas largas e tudo estava lá. A FIESP, O Trianon e aquele gigantesco paralelepípedo sobre vigas vermelhas que chamam de MASP. Cada escada, cada vidro e restaurante. Tudo como de costume.
O tiozinho do Yakissoba marcou presença assim como aquele maluco que fica em frente a FIESP, se dizendo ator, e tentando vender umas revistinhas de descontos. O Top Cine e o Bristol também perduraram e exalavam o costumeiro cheiro acre de ar condicionado. As decorações de natal já estavam começando. A rua Augusta era uma senhora setentona: Nada de luxuria e baderna nos barzinhos, apenas mulheres passeando com seus poodles. A Paulista estava linda, mas me faltava algo.
É estranho sentir saudades.
Eu até tentei curtir esse fim de semana, mas faltava você...
O tempo está chacoteando de mim, enrolando e desenrolando a seu bel-prazer os seus novelos. Já faz oito dias que é sexta e daqui umas duas semanas será segunda. O feriado se estenderá por um longo e torturante século, para assim, quando eu te ver e te ter nos meus braços, ao alcance do meu olhar, no limiar do meu desejo, tudo durar vinte minutos.
Patrícia...
Você definitivamente faz falta.
Um dia desses, topo comigo...
As alusões feitas a minha pessoa ultimamente vem me fazendo estranho, me deixando descolocado. Eu sou, ou pelo menos me considero, uma pessoa parcialmente introspectiva. Isso significa de certa forma que não sou adepto de conversar abertamente com qualquer pessoa em qualquer lugar. Não por que seja tímido ou por que seja anti-social, e sim, por puro prazer. A introspecção é uma coisa maravilhosa e me parece um bom estilo de vida, pois assim não pecarei em pontos inacessíveis ao meu intelecto e, acima de tudo, não precisarei falar sem que seja requisitado ou que realmente haja necessidade. Ghandi já dizia, Renato Russo já dizia, até minha mãe já dizia.
Entretanto sempre existem pessoas que são do contra. Corvos da noite.
Esse tipo de pessoa sempre arranja um bom motivo pra falar de outras e de outros. Vêem mal em tudo. Falar demais ou de menos, comer demais ou de menos, gostar demais ou de menos, transar demais ou de menos, ser feliz demais ou de menos...
O que se é necessário para ser bem visto e bem quisto?
Fazer média, ser simpático. Eu detesto isso profundamente.
As vezes me sinto desagradável de estar no metrô e ter que passar por aquelas situações que a gente sempre passa e inconscientemente acha que só acontece com a gente, como por exemplo, o vagão está parcialmente vazio e quase todos os assentos tem ainda um lugar disponível e outros poucos estão completamente vazios. O metrô segue sua constante e sistemática viagem e para numa estação qualquer da zona sul, onde apenas uma pessoa entra no vagão em que você esta. Apesar de ter muitos assentos livres e outros até vazios aquela pessoa perdida entra, olha com avidez para todas as direções e, voilá, senta justamente ao seu lado dizendo “com licença” e jogando a bolsa enorme quase em seu colo. Não satisfeita, ela começa a se acomodar melhor e fuçar em sua bolsa em busca daquele tic-tac que sempre fica lá embaixo da grande bolsa, inacessível. Ela praticamente se contorce pra achar a tal bala e nesse meio tempo você já levou umas três cotoveladas e está com a menor parte do banco. A mulher abusada não tem limites e, apesar de ter me irritado inconvenientemente, ainda tenta puxar assunto:
- Puxa, aquela 25 de março está um inferno hoje!
Nada faço a não ser arquear as sobrancelhas e dizer “pois é...”. Logo após me levanto sem necessariamente dar explicações e sento em outro banco , que seria a coisa mais sensata que a tiazinha deveria ter feito desde que entrara no vagão.Enfim coisas da vida.
Lembrem-se, fazer média é chato... Não conversem comigo no elevador.
Um abraço aos meus leitores.
Pois aqui estou e sem medos de represálias e protestantismos. Estive ausente em palavras por alguns dias. Em palavras. Conheci muita gente interessante esse ultimo mês – algumas pessoalmente, outras não – que me fizeram pensar no meu ponto acomodador. Estou muito acomodado ultimamente. A menina-flor me fez pensar sobre escrever com a alma. Teve alguns resultados produtivos.Meus erros de sintaxe são absurdos. Gostaria de deixar as coisas fluírem, fluírem bem. Fuçando nas coisas dos outros descobri sinceridade... queria que meus textos fossem cem por cento sinceros, mas não o são. Talvez um ou outro tem realmente expressado como eu me sentia no momento. Um ou outro. Precisava deixar isso transparecer e encontrar o meu estilo literário. Tem uns caras que se dizem valentes... e tem uma precisa definição sobre si mesmo. De fato tem que ser muito valente pra sair de casa no meio da noite e ter que voltar sem nenhum noitão especial, e o mais importante, ainda com algum humor. Tudo isso que aconteceu na minha vida foi incrível. É como se aquelas fotinhas quadradas com legendas engraçadas fossem aos poucos tomando vida, e, com certeza, acrescentando a minha história pessoal. Acrescentar, essa é a palavra. De todos os relances, pude associar as obras com as pessoas desde aquele carinha que se auto-sinaliza à sua namorada sorridente... com nenhum deles troquei mais do que 6 ou 7 palavras, contudo, consegui acrescentar algo. Aprendi que não importa onde eu vá, sempre vai ter alguém legal, alguém palhaço, alguém interessante, alguém troxa-o-suficiente-pra-perder-o-noitão, alguém sorridente, alguém... verde, alguém comunista, alguém canhoto, alguém poético. Vocês são muito interessantes, como espécie.
P.S: fontes secretas me disseram que o tabajara esta acabando... será?!? P.S 2: Eu não escrevi isso com intuito de agradar ou denegrir alguém, tampouco pensando em meu próprio proveito e promoção. Just Enjoy!
Até...
Seguindo o rumo
Alô aos navegantes. Aqui estou mais um dia. Estive relendo meu blog ultimamente e descobri algo. Relendo, descobri que meu blog falava muito sobre mim. Momentos e momentos. Durante todo esse tempo que tenho meu blog – no qual aprendi a ama-lo e cuida-lo – tive momentos felizes, momentos tristes, momentos alegres e cinzas. Momentos redentores e iluminados, momentos depressivos e escuros. Passei muita coisa, mas estive pensando. Esses dois textos eu escrevi a muito tempo. Eles expressam dois momentos distintos da minha vida. Vão do fundo do poço até o sétimo céu. Nunca tive coragem ou intenção de publicá-los, contudo alguns amigos me incentivaram e disseram que seria interessante e tal. Portanto ai vai. Coloquei na ordem em que escrevi.
Texto 1.
Testamento.
Tudo está se modificando e percebi que as coisas não são como eu imaginava. Meus antigos amigos não são mais meus amigos. Meus dias de diversão não são mais como antes. Meus dias de samba se resumiram em alguns poucos CDs. As pessoas que antes me admiravam, hoje não fazem tanta questão de saber se estou vivo ou morto – pra falar a verdade algumas nem me cumprimentam mais. As pessoas que eu costumava acreditar serem minhas confidentes, abriram o jogo. Minha vida está tão diferente do que costumava ser, que começo a pensar em qual caminho seguir daqui pra frente. O lugar em que eu me sentia bem já não me recebe da mesma maneira. A minha ingenuidade de achar que todos são bons e compreensivos caiu por terra. Não sei se o que está acontecendo é normal ou se todos devem passar por isso em alguma época de suas respectivas vidas, mas, o fato é que, ninguém se importa. Estão todos muito ocupados pensando na balada que vão fazer a noite, qual boca vão beijar, qual mentira vão contar para impressionar os outros e assim, sentirem-se aceitos. Tudo se foi. Sobraram apenas poucas coisas: meu violão, um único amigo, uma mente empoeirada, um coração triste, alguns bons livros, a vontade de querer mudar o mundo e algumas lembranças. To começando a achar que meu contrato com a felicidade expirou e ela arrumou as malas e foi-se, despedindo-se brevemente durante um porre a uns oito meses atrás. Aquilo que eu tinha e cuidava com tanto esmero foi se desfazendo, como um sonrrizal num grande copo d’água. Arrumo minhas malas agora, e, despeço-me desta pessoa que um dia eu fui, pois cansei de fingir ser feliz.
Texto 2.
Tudo de Bom!
Se tudo que é bom recomeça, recomeçarei. Se tudo que é bom ilumina, resplandecerei. Se tudo que é bom termina, vou até o fim. Se tudo que é bom é hoje, viverei sem culpa. Se tudo que é bom realmente é difícil, guerreiro eu serei. Se tudo que é bom tem um preço, vou pagar pra ver. Se tudo que é bom assusta, não temerei. Tudo de bom é acordar, é olhar, é ver, é sentir, é tocar, é fazer, é acontecer, é ser e estar, é o presente. Tudo de bom é amar, é ser o que se é e não ter vergonha, é improvisar, é ousar pois, ousar lutar é ousar vencer. Tudo de bom é ser zen, é ser espiritualizado, é não cobrar. O meu Zahir eu já achei. Já achei tudo que há de bom na vida. Todas as manhãs levanto-me e embarco por um mar turbulento de pensamentos, tentando achar a ilha da felicidade, na qual minha alma se encontrará comigo. Sei o quanto isso é trabalhoso, e adoro desafios. Minha catedral esta iluminada e você está nela. Meu Zahir. Meu tudo de bom. Tudo de bom é você, do jeito que é, sem acréscimos. Nada tem a ver com sedução e atração. Pureza. Quero fazer com você essa viagem, e desfrutar cada instante, pois a longevidade do meu sentimento me garante a paz. A paz de, simplesmente, gostar de você.
Apesar do tempo que foi escrito, existem coisas que sempre tem uma certa relevância. Isso é mais que um conjunto de textos e palavras congruentes, isso é um conselho. Pensem sobre isso e vivam mais intensamente. Pensem sobre isso e vivam mais. Pensem sobre isso e vivam.
“ Existem três coisas em demasia e três coisas em falta que são perniciosas às pessoas. Falar demais e saber pouco, gastar demais e ganhar pouco, se estimar demais e valer pouco.”
(Ghandi)
Grande Abraço!!
Trópico de capricórnio
Nesse domingo fui ao Hopi Hari. Alguém de vocês já percebeu que no caminho você passa por um grande placa azul Royal escrita: Passagem pelo Trópico de Capricórnio 23º27’’... enfim não tem importância, ninguém vê, mas esta lá... o hopi hari até que é bom.
Hoje eu vou fundar uma sessão aqui que vai chamar Pérolas da Plebe... para enaltecer o humor não programado, que muito dos meus amigos fazem despercebidamente e proporcionam muitos momentos de riso. É isso.
As Pérolas da Plebe...
Em pleno estacionamento do Central Plaza:
- Pô Juninho, nesses dias de sol a gente até que podia juntar o pessoal pra ir lá no Otou Wine...
- Ir aonde?
- no Otou Wine... Aquele parque aquático que fica do lado do Hopi Hari.
- Não seria Wet’n’Wild?
- É isso... pode crê.
Alguns instantes depois, ao passar um carro antigo:
- Caramba, parece aqueles carinhos de flexão...
- Carrinho do quê?
- Flexão... aqueles que você arrasta no chão pra ele pegar velocidade...
- Ahh tahh... Fricção né.
- Então. Não foi isso que eu disse.
Bom, é isso aí. Fiquem com Deus
P.S: Comentem se vocês já passa ram por alguma situação engraçada assim... blz?
Pra ti & Cia!
Saudações queridos leitores. Na semana passada eu acabei de ler um livro que um a amiga minha me emprestara a muito tempo. Cem dias entre céu e mar tornou-se um marco em minha vida. Não só pela sua linguagem fácil e gostosa de se ler, mas também, por toda lição contida nele.A perseverança que Amyr Klink teve para remar da Namíbia (Costa Africana) até Salvador é um exemplo a todos. Com esse livro entendi que tudo depende de força de vontade e determinação. Uma gaivota pode, mais facilmente do que se imagina, cruzar o atlântico para por seus ovos em terra firme, contudo, um humano só fará isso se estiver determinado até os ossos. Amyr Klink ficou cem dias no mar remando para cruzar o atlântico, munido apenas de coragem, perseverança, mantimentos, e um radiocomunicador. Nada de motores ou vela. Isso não lhe faz pensar um pouco sobre força de vontade?
Pois é, me fez pensar. Um dos relatos do livro que mais gostei foi:
“Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distancia nem do isolamento, um vazio que invade as pessoas e que a simples companhia ou presença humana não pode preencher, solidão foi a única coisa que não senti... Estava sim atacado por uma voraz saudade... mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distancias.”
O livro é todo bom e eu, sinceramente falando, me imaginei no meio do atlântico, com os dourados as baleias e até os tubarões. O livro também ressaltou a idéia que eu tenho de todas as pessoas, sem exceções, tem sua própria peregrinação, sua própria aventura...
...Cabe a cada um saber qual é.
“Os humanos vivem fugindo do amor, como se isso fosse capaz”
O livro citado é “Cem dias entre céu e mar” da editora Companhia das Letras, o autor Amyr Klink.
Um abraço e até a próxima...
P.S: Patty adorei nosso domingo... Foi hilário. Você é demais. Um beijo pra você, garota. Esse post é pra vc.
Genericamente falando...
Saudações fiéis leitores do Blogueiros Anônimos, aqui estou mais um dia... Primeiro de tudo os agradecimentos:
Gostaria de agradecer primeiramente ao meu primo Mauricio que lembrou que existo e resolveu me deixar um scrap. – firmeza muleke. Gostaria de agradecer também a Luisa por finalmente ter deixado um depoimento pra mim no orkut, apesar de ter sido curtinho. – valeu Lu, você é um anjo. (eu modifiquei o meu depoimento pois estava um pouco grudento). Agradeço também a Patrícia – Senhorita Incrível – que apesar de nunca ter se quer ouvido minha voz é sempre muito gente fina comigo, e é leitora assídua do meu blog (segundo o que ela própria disse). Gostaria de enfatizar que é sempre bom agradecer e por isso resolvi por em pratica. Agradeçam também, é enobrecedor.
E foi assim que aconteceu...
Estar sem nada pra fazer nos ajuda a pensar um pouco. Como ultimamente ando meio atarefado – tenho apenas umas duas horas livres pra mim por dia – não estava tendo muito tempo pra pensar. Não pensar em algo especifico, apenas pensar. O pensamento é muito volúvel. Uma hora se esta pensando no que comer no almoço e no segundo seguinte já se esta pensando em qual roupa você ira usar a noite ou qual perfume combina melhor com seu estado de espírito – Uomini ou Malbeck?. Mas estar demasiadamente ocupado turva nossos pensamentos e temos que focar nossa atenção pro que estamos fazendo no momento. Isso estava me tornando muito pratico porem estava me deixando também, um pouco frio demais, um pouco realista demais. Certa vez escrevi uma frase, que decidi que seria a frase que abriria meu livro com estilo. Queria uma coisa simples e curta, porem profunda, e depois de pensar um pouco escrevi: Pobre dos céticos, destroem algo que certamente os ajudariam a viver:sonhar. Pois é, a frase ficou boa, na minha opinião, profunda e esteticamente bonita. Há alguns dias atrás descobri que estava sendo personagem principal da minha frase – um cético. Estava traindo meus próprios princípios. No meio dos meus turbulentos dias, de trabalhos exaustivos e reclamações excessivas do meu patrão, estava me tornando uma pessoa fria. Li bastante, mas não encontrei uma solução viável. Dormi. Sonhei. E nesse sonho encontrei a solução. Dizem que o sonho é uma mensagem dos deuses e que eles querem dizer coisas que estão por vir. Nesse sonho que tive – nada de revelador – me deu o que queria de resposta. Sonhar e imaginar não era o que estava me faltando. Acreditar em meus sonhos era o que eu precisa fazer. Pus isso em pratica e comecei a reescrever meu livro. Pedi demissão do meu emprego e consegui um outro bem melhor. Acho que pelo simples fato de acreditar nos meus sonhos as coisas começaram a dar certo. É essa energia, que nos faz ser capazes de tudo, nos faz sentir vivos, que eu consegui resgatar do fundo das minhas entranhas, que é o motivo pelo qual vivemos. Digo a todos, não como um conselho, mas como um solução: Acreditem. Acreditem com todos suas forças,pois o que nos separa dos outros seres vivos é a vontade de ser e acontecer. Acredite, acreditem, acreditemos.
É Isso ai, um abraço e até mais.